O Palco Subcutâneo

buscando apresentar as futilidades e vanidades que passam por baixo de nossas peles sujas de oxigênio.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Meus olhos
Todos os olhos que eu tive
Foram pra sempre te olhar

Meus óleos
Todos os banhos que eu dei
Foram pra sempre te esperar

Meus livros
Todos os sonhos que eu li
Foram pra sempre te contar

Meus lírios
Todos os amores que eu vi
Foram pra nunca te deixar

Meus olhos
Todas as cores que encontrei
Foram pra sempre te encantar

Meus filhos
Todas as vidas que eu lembrei
Foram pra sempre te encontrar

Delírios
Todos os monstros que eu fui
Foram pra nunca te assustar

terça-feira, 19 de abril de 2016


- Chega! Não vou mais alimentar sua auto-piedade!
- Como se soubesses alimentar algo além de seu próprio ego..

quinta-feira, 12 de março de 2015

Crina


no galope do bailar dos dias,
dando graça ao arisco esvoaçante,
solta como a brisa que a move,
indomável como o vento, sentido.


terça-feira, 6 de maio de 2014

nóz


nós frouxos,
nós somos,
aperto, encasulo,
ato na casca de noz,
castanhas íris,
no arco desbotado,
sem tesouro no final.


terça-feira, 27 de abril de 2010

Protesto na lápide

-

Quando vos falo assim postumamente,
Entendam a minha forma de contar da esperança e otimismo que vivo.

Há quem tenha nascido pra não morrer,
Há os que nasceram morrendo,
e há os que vivem na morte.

Sou daqueles que se mata diariamente,
Ressucitando todos os dias,
e a cada encarnação um passo para a LUZ!

-

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O Eu, quando fácil.

Uma boa e corriqueira história de quem passou a vida ao largo de si mesmo e, de repente...dá com a cara no vidro. E descobre que tem uma. E descobre um tanto de outros pequenos pormenores.

(por Thereza, para Tarcísio. É só um poema em forma de prosa. Espero que goste).


pequenino e simples, mas que me abriu uma gigante compreensão de muitas coisas que ainda estavam encruadas em mim.

Obrigado Thereza!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Diálogos inexistentes (Nick Farewell)

-

Tudo se resolveu. Estava na hora de ir. Pego o caminho da estrada.

- Ei, você esqueceu a sua mochila.
- Ah, obrigado.

Continuo andando.

- Eu... já peguei a mochila. Você já pode ir.
- Eu... queria andar um pouco com você. Pode?
- Pode. Mas você não vai gostar. Não sou muito de falar. Diria que o meu caminho é... solitário.
- Não me importo. Quero ir com você.

Continuamos andando em silêncio.

- E se eu quiser andar com você a vida inteira?
- Diria que você é louca.
- Se eu disser que também sou solitária?
- Aí eu diria que se você andar comigo vai perder o seu estado de ‘solitária’ e diria que eu também perderia a minha reputação de solitário.
- Você se importa?
- Sinceramente? Acho que às vezes a solidão cansa. Mas também acho que não tenho escolha.
- Eu entendo.
- Entende?
- Sim.

Andamos mais um pouco. Ela passa o braço dela no meu.

- Se é para acabar com a reputação que seja com estilo.

Eu sorrio.

- Para ser sincero nem sei porque estou falando tanto.
- Deve ser porque você anda solitário há muito tempo.
- Quero parar um pouco.

Sentamos no banco. Ficamos mudos por muito tempo.

- O que está pensando?
- Estou pensando em bobagem.
- O que é?
- Estou pensando em deixar essa mochila nesse banco. Para sempre.

Ela sorri e eu gosto disso.

-