O Palco Subcutâneo

buscando apresentar as futilidades e vanidades que passam por baixo de nossas peles sujas de oxigênio.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Ciclo

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só se nasce quando se pari,
só se nasce quando se parte.

eu parto e tu é parte,
parte vital do parto.
do meu parto vital.

deve-se mudar,
tem que se partir,
partir ao meio,
e ao morrer, nascer.
tem-se que ressucitar.

E ao morrer
tem que se parir!
eis o teu fardo.

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Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Dia seguinte

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- Não acredito! - Ela resmunga
- Em que? - Ele retruca
- No que agente fez. Eu nem te conheço direito.
- Bebemos demais.. e além do mais somos humanos!
- Só por isso podemos errar?
- Não. Só por isso podemos amar!

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Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

adicção

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sou usuário de poesia
e dependente de amor.
o oceano se afoga no meu peito,
e eu asfixio, grito e chio,
e sei que desse jeito,
no próximo inverno não fará tanto frio,
e todos os seios nascerão menos baldios.
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Sábado, 14 de Março de 2009

Briefing

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Vamos desenvolver o marketing da consciência,
empregando os promotores de verdade,
montar o cartel da humanidade,
contratando as relações públicas de amor.
pagaremos os mensalões de respeito
com o caixa 2 da barraquinha do beijo.
criaremos o monopólio da solidariedade,
aumentando o share of mind do prazer,
capricharemos na arte-final para que o cúpido atinja seu target
e o briefing estará completo,
eliminando a vil concorrência e desestruturando o caos,
aliviando a crise e a pressão arterial.

e assim, farei a faculdade da vida,
realizando meu sonho de criança,
esperando pagar minha dívida no
concorrido mercado da esperança.
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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Meus pedaços

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A história da humanidade é cada vez mais uma corrida entre a educação e a catástrofe.
Como Rilke recomendou, estou pacientemente vivendo as perguntas,
esperando morrer respostas.

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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

ensaio sobre a ação

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essa maldita coerência que teimo em respeitar,
me mata, me sufoca, me fecha à ponto de me tornar incoscientemente,
demasiadamente aberto e flexível,
sendo assim o mais incoerente perante a mim, a consciência.
e esse outro que me sabota, não incomoda.
eu o aceito como extensão do meu ente ser,
que em essência é mais uma parte desse universo,
tão necessária e tão vulnerável como o eu verdadeiro,
que deixei como coadjuvante desse filme sem ensaios,
que é a vida.

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Domingo, 26 de Outubro de 2008

sobre o destino

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uns no ópio,
outros no vinho,
uns nas igrejas,
outros no candomblé,
uns na filosofia,
outros no céu,
uns na vida,
outros na morte,
uns na rua,
outros na esquina.
uns, dois, três..

todos rumo ao deus serotonina!

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